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Como organizar uma chamada de palestrantes (CFP) passo a passo

Como abrir, divulgar e avaliar uma chamada de palestrantes: formulário, prazos, critérios, avaliação anônima e comunicação com quem foi ou não aceito.

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Para organizar uma chamada de palestrantes (call for papers, ou CFP), defina primeiro os temas e formatos que você quer na agenda, publique um formulário curto com prazo claro, divulgue nas comunidades certas, avalie as propostas com critérios escritos e responda a todas as pessoas, aceitas ou não. Uma boa chamada não serve só para encher a agenda: ela traz vozes novas, mostra para patrocinadores que a comunidade está ativa e reduz a dependência dos mesmos palestrantes de sempre.

Chamada aberta, convite ou os dois?

Há três formas de montar a agenda:

  • Só convite. Você escolhe cada palestrante. Rápido e previsível, mas tende a repetir os mesmos nomes.
  • Só chamada aberta. Qualquer pessoa envia uma proposta. Traz diversidade e surpresas, mas exige tempo de avaliação.
  • Misto. Você convida as palestras de abertura e encerramento e algumas pessoas-chave, e abre o resto. É o formato mais comum em conferências de comunidade.

Muitos eventos brasileiros de tecnologia usam chamadas abertas há anos. A Python Brasil 2025, por exemplo, publicou sua chamada de propostas em uma página própria, para atividades de vários níveis e temas, com o evento presencial em São Paulo de 21 a 27 de outubro de 2025 e transmissão ao vivo.

Passo 1: defina o que você quer receber

Antes de abrir o formulário, escreva:

  • Trilhas ou temas. Três a seis trilhas costumam bastar. Descreva cada uma em uma ou duas frases, com exemplos do que entra e do que não entra.
  • Formatos. Palestra longa, palestra curta, lightning talk, workshop, painel. Diga a duração de cada um.
  • Público. Iniciante, intermediário, avançado. Diga se o evento quer conteúdo para todos os níveis.
  • Idioma. Português, espanhol, inglês. Em eventos com público de vários países da América Latina, aceitar propostas em espanhol amplia muito o leque de palestrantes.
  • O que o evento oferece. Ingresso, passagem, hospedagem, cachê. Seja explícito: muitas pessoas não enviam proposta porque não sabem se terão como pagar a viagem.

Passo 2: monte um formulário curto

Pergunte só o que você vai usar para decidir e para publicar:

Campo Por que
Título Vai para a agenda
Resumo público Vai para o site, 500 a 800 caracteres
Descrição para a banca Estrutura, o que o público vai aprender
Formato e trilha Para distribuir na grade
Nível Para equilibrar a agenda
Mini bio e foto Vai para o site
Palestras anteriores ou vídeo (opcional) Ajuda a avaliar quem já palestrou
Necessidades de viagem e acessibilidade Para orçar e se preparar
Cidade de origem Para orçar passagens

Evite pedir dados que você não vai usar. Cada campo extra é um motivo para alguém desistir no meio.

Passo 3: defina datas realistas

Um cronograma típico tem cinco marcos:

  1. Abertura da chamada.
  2. Encerramento (com data e horário, incluindo fuso: lembre que o Brasil tem mais de um e que palestrantes de outros países vão ler o prazo).
  3. Avaliação.
  4. Comunicação das decisões.
  5. Publicação da agenda.

Deixe tempo entre a decisão e o evento para que as pessoas aceitas consigam autorização no trabalho, comprem passagens com preço razoável e preparem a palestra. Prorrogar o prazo uma vez é comum; prorrogar várias vezes passa a impressão de que ninguém está enviando.

Passo 4: divulgue onde estão os palestrantes

  • Comunidades e meetups da sua área: grupos de WhatsApp e Telegram, Discord, listas de e-mail.
  • LinkedIn, com um post pessoal dos organizadores, não só da página do evento.
  • Palestrantes de edições anteriores, pedindo que indiquem outras pessoas.
  • Grupos de diversidade em tecnologia, que costumam ter pessoas preparadas que não recebem convite.
  • Universidades e grupos de pesquisa, se o evento tiver trilha acadêmica.
  • Comunidades de outros países da América Latina, se o evento aceitar propostas em espanhol.

Uma mensagem pessoal funciona melhor que um post genérico: “Vi sua palestra sobre X no meetup Y, acho que caberia na nossa trilha Z. A chamada fecha em {{data}}”.

Passo 5: avalie com critérios escritos

Combine os critérios antes de ler a primeira proposta. Um exemplo de grade simples, com nota de 1 a 5 por proposta:

  • Relevância para o público do evento.
  • Clareza: dá para entender o que o público vai aprender?
  • Originalidade: traz algo que não se vê em todo evento?
  • Encaixe na agenda: equilibra trilhas, níveis e formatos.

Avaliação anônima

Esconder nome, empresa e bio na primeira rodada reduz o peso de “quem é a pessoa” e aumenta o peso de “o que ela propõe”. Ferramentas como o pretalx, software de código aberto usado por muitas conferências, permitem escolher entre avaliação anônima e aberta por evento. Uma prática comum é fazer a primeira rodada às cegas e só na segunda olhar o perfil, para equilibrar a agenda.

Quem avalia

  • Pelo menos duas ou três pessoas por proposta.
  • Pessoas de diferentes áreas e perfis.
  • Quem tem conflito de interesse (mesma empresa, amizade próxima) se declara e não avalia aquela proposta.

Passo 6: decida e monte a agenda

Ordene as propostas pela nota média, mas não monte a agenda só pela nota. Verifique:

  • Equilíbrio entre trilhas e níveis.
  • Repetição de temas.
  • Diversidade de palestrantes (gênero, região, empresa, nível de experiência).
  • Custos de viagem que cabem no orçamento.

Guarde uma lista de espera: alguém sempre desiste.

Passo 7: comunique as decisões

Aceitos: envie a confirmação com prazo para aceitar, as informações práticas (data, sala provisória, duração, equipamento, apoio de viagem) e um pedido de foto e bio finais.

Não aceitos: responda a todos. Um e-mail educado, sem promessas vazias, que agradece e, se possível, explica o motivo geral (“recebemos muitas propostas sobre X”). Quem recebe resposta tende a enviar de novo no ano seguinte.

Lista de espera: diga com clareza que a pessoa está em lista de espera e até quando você pode chamá-la.

Passo 8: cuide de quem vai palestrar

  • Uma conversa ou mensagem de alinhamento antes do evento.
  • Prazo para enviar os slides, se houver tradução ou legendas.
  • Orientação sobre o local, a sala, o microfone e o tempo.
  • Ensaio técnico no dia, se possível.
  • Depois do evento: agradecimento, link da gravação e feedback do público.

Erros comuns na chamada de palestrantes

  • Formulário longo, com campos que ninguém vai ler.
  • Prazo confuso, sem fuso horário.
  • Não dizer o que o evento cobre (passagem, hospedagem).
  • Avaliar sem critérios e decidir “no feeling”.
  • Não responder a quem não foi aceito.
  • Publicar a agenda tão tarde que o público não consegue se programar.

No BuildAConf, a chamada de palestrantes faz parte do site do evento: os palestrantes enviam propostas, sua equipe dá notas de 1 a 5 na caixa de entrada do organizador, pode aceitar várias de uma vez e, com um clique, a palestra entra na agenda e aparece no site e no app. Você também pode convidar pessoas do catálogo de palestrantes com um link pessoal. Saiba mais em buildaconf.com.

Perguntas frequentes

Quanto tempo a chamada de palestrantes deve ficar aberta?

Tempo suficiente para a divulgação chegar às comunidades e para as pessoas escreverem com calma, geralmente algumas semanas. Mais importante que a duração é anunciar o prazo com clareza e lembrar a comunidade perto do fim.

Devo pagar os palestrantes?

Depende do orçamento e do tipo de evento. Em eventos de comunidade é comum cobrir ingresso e, quando possível, passagem e hospedagem. O essencial é dizer na chamada exatamente o que o evento oferece, para ninguém descobrir depois.

Como aumentar a diversidade de palestrantes?

Divulgue em grupos de diversidade, convide pessoalmente, aceite formatos curtos para quem palestra pela primeira vez, ofereça mentoria para preparar a palestra e use avaliação anônima na primeira rodada.

O que fazer se chegarem poucas propostas?

Prorrogue uma vez, com divulgação direcionada, e complete a agenda com convites. Envie mensagens pessoais para quem palestrou em meetups da sua cidade: muita gente só envia proposta quando alguém pede.

Fontes